Mundi
Episódio 01 — Estepes

O Império Mongol

Cento e sessenta e dois anos. Um quarto do mundo conhecido. A história mais rápida de conquista que a humanidade já viu.
1206 — 1368
Role para começar
1162

A criança da estepe

Em algum ponto perto do rio Onon, no nordeste do que hoje chamamos de Mongólia, nasce uma criança chamada Temujin. Não há nação aqui. Há apenas tribos rivais, frio cortante, cavalos, e uma forma de vida que pouco mudou em mil anos.

Quando Temujin tem nove anos, seu pai é envenenado por uma tribo inimiga. Sua família é abandonada na estepe e quase morre de fome. Esse menino, traído antes da puberdade, vai se tornar o homem que mais conquistou território na história do planeta.

1206

O Khan dos Khans

Aos quarenta e quatro anos, depois de quatro décadas vencendo cada tribo da estepe, Temujin é proclamado Genghis Khan — o "soberano universal". Pela primeira vez na história, todas as tribos mongóis são uma só nação.

Ele tem agora cerca de um milhão de pessoas sob seu comando, e talvez cem mil cavaleiros. O resto do mundo tem centenas de milhões de habitantes. Ninguém na China, na Pérsia ou na Europa sabe que ele existe.

1227

A morte do conquistador

Em vinte e um anos de campanha, Genghis Khan conquistou mais terra do que qualquer ser humano antes dele. Cai sobre cinco impérios — o Xia Ocidental, o Jin do norte da China, o Cara-Quitai, o Khwarezmiano da Pérsia, e os domínios do Cáucaso.

Cidades inteiras desaparecem. Samarcanda, Bucara, Nishapur — entram para a história como exemplos do que acontece quando se resiste. Quando Genghis morre, em 1227, o império se estende do Pacífico ao mar Cáspio.

Seus filhos não param.

1241

Os portões da Europa

Sob o comando do filho Ögedei, os mongóis cruzam a Rússia, queimam Kiev, e então fazem algo que ninguém esperava: invadem a Europa central. Em poucos meses, exércitos polonês e húngaro são pulverizados em Legnica e em Mohi.

A Áustria vê fumaça no horizonte. Roma se prepara para o fim do mundo. E então, no inverno de 1241, Ögedei morre em Karakorum, e as hordas dão meia-volta para escolher o próximo Khan. A Europa nunca soube quão perto chegou.

1259

A maior fronteira da história

Sob Möngke Khan, o império atinge seu pico absoluto. Vai da Coreia ao Mediterrâneo. Da Sibéria ao Golfo Pérsico. Vinte e quatro milhões de quilômetros quadrados — um sexto da terra firme do planeta, dois terços da população conhecida do mundo, sob um único soberano.

Bagdá cai em 1258. O califa abássida é executado. A Casa da Sabedoria, biblioteca da civilização islâmica por quinhentos anos, é destruída. Diz-se que o rio Tigre correu negro pelos dias seguintes — pela tinta dos livros queimados.

1294

Quatro Khanatos

O império era grande demais para um só governante. Após a morte de Kublai — neto de Genghis e o homem que conquistou a China — o império se divide em quatro reinos: a Dinastia Yuan na China, o Ilcanato na Pérsia, a Horda Dourada na Rússia, e o Canato Chagatai no centro da Ásia.

Eles brigam entre si. Mas, juntos, criam algo que o mundo nunca tinha visto: a Pax Mongolica. Um comerciante podia, pela primeira vez, viajar de Veneza a Pequim em segurança. Marco Polo, justamente, faz essa viagem.

1368

O fim — e o que ficou

Os Ming derrubam o Yuan. Tamerlão pulverizará o que resta do Ilcanato. A Horda Dourada vai sobreviver mais um século antes de fragmentar. Em cento e sessenta e dois anos, o império mais rápido da história nasceu, conquistou o mundo, e desapareceu.

Mas todo continente que ele tocou mudou para sempre. A pólvora chega à Europa. A peste negra segue as rotas mongóis e mata um terço da Europa. O comércio entre Oriente e Ocidente nunca mais para. E o DNA de Genghis Khan, dizem os geneticistas, está em uma a cada duzentas pessoas vivas hoje.

A história nunca termina. Só muda de forma.

1162
Tribos da estepe

A história está escrita em você.

Cada conquista, cada queda, cada rota de comércio que passou pela Pax Mongolica continua agindo no mundo de hoje. Aprender história não é olhar para trás — é entender de onde o presente veio.